domingo, 24 de junho de 2012

RENASCER (VAMOS RECORDAR)



Renascer foi uma novela de Benedito Ruy Barbosa, exibida às 20h pela Rede Globo. A trama ficou no ar entre 08 de março a 14 de novembro de 1993, num total de 213 capítulos. O universo rural, tradições e costumes, dessa vez no interior da Bahia, voltava com força no horário nobre da Globo. A saga dos Inocêncios em meio a paixões, ódio, vingança, lealdade, amores impossíveis e política foi subsidio suficiente para fomentar a boa dose da polemica até o desfecho da novela.

Em meio a lendas, mitologias e regionalismos, Renascer contou a história da rejeição de um filho pelo pai, após a morte da mãe no parto. A novela é dividida em duas fases. A primeira fase contou com quatro capítulos e participações especiais de Fernanda Montenegro como a prostituta Jacutinga, além de Nelson Xavier e José Wilker.


A atração principal da primeira fase foi contada através dos atores Leonardo Vieira e Patrícia França, respectivamente José Inocêncio jovem e sua amada Maria Santa.


A segunda fase abre as portas para outros personagens marcantes como Antônio Fagundes vivendo José Inocêncio maduro e seu amor pela misteriosa Mariana (Adriana Esteves). Outros personagens enriqueceram a trama como Tião Galinha (Osmar Prado), a hermafrodita Buba (Maria Luiza Medonça), Dona Patroa (Eliane Giardine), entre outros.


A primeira fase de “Renascer” foi uma atração à parte. O diretor Luiz Fernando Carvalho conferiu uma linguagem cinematográfica aos capítulos iniciais, que ganharam direção de fotografia de Walter Carvalho, e a novela recebeu muitos elogios de crítica e público. A empatia dos atores Leonardo Vieira e Patrícia França, ambos estreantes em novela, encantou os telespectadores. Destaque também para a atriz Fernanda Montenegro, que deu vida à personagem Jacutinga, dona de um bordel na zona cacaueira de Ilhéus. Grande amiga de José Inocêncio (Leonardo Vieira/Antonio Fagundes), ela se torna uma figura importante na vida de Maria Santa (Patrícia França) e dos filhos do casal.


José Inocêncio (Leonardo Vieira) chega às roças de cacau de Ilhéus, na Bahia e finca seu facão ao pé de um jequitibá, fazendo uma promessa: não morrer. A árvore passa a representar sua sorte, força e existência, acompanhando a trajetória do personagem ao longo de toda a narrativa. Corre a lenda de que ele morrerá quando o facão for engolido pela terra.


Maria Santa (Patrícia França) foi criada com extremo rigor pelo pai porque a irmã mais velha engravidou prematuramente e foi expulsa de casa. Quando conhece José Inocêncio (Leonardo Vieira) e é pela primeira vez beijada por um homem, em sua inocência e ingenuidade pensa que vai ficar grávida. Depois disto, Santinha é também abandonada pelo pai, que se muda com a mãe do vilarejo, deixando a filha no bordel de Jacutinga (Fernanda Monentegro).


Com o passar dos anos, valente, trabalhador e obstinado, José Inocêncio constrói um verdadeiro império do cacau, e se casa com a doce e ingênua Maria Santa (Patrícia França), por quem devota um amor incondicional. O casamento entre Zé Inocêncio e Maria Santa é perfeito.


Maria Santa dá quatro filhos a José Inocêncio, mas morre ao dar à luz João Pedro, rejeitado desde então pelo pai, que o culpa pela morte de seu grande amor.


Jacutinga (Fernanda Montenegro) é a dona do bordel local que acolhe Maria Santa (Patrícia França) como filha. Admirável personalidade, sábia, é quem faz os partos da mulher de Inocêncio (Antonio Fagundes), inclusive o último. É também da casa dela que a misteriosa Mariana (Adriana Esteves) surge na vida do coronel.


Noberto (Nelson Xavier) é dono da venda onde todos param para fazer uma compra, tomar uma bebida ou dar um dedo de prosa.


Venâncio (Cacá Carvalho) e Quitéria (Ana Lúcia Torre) são os pais de Maria Santa. O maior orgulho de Venâncio é ser a cabeça do boi na festa do Bumba. É aí que ele pode extravasar toda sua violência, como faz quando percebe os olhares que José Inocêncio lança à sua filha Maria Santa. Já a esposa Quitéria é uma triste figura, que não consegue se livrar do jugo do marido. Por causa disto, ela perde o que a vida lhe deu de melhor: as duas filhas.


Belarmino (José Wilker) é o ambicioso e invejoso vizinho de José Inocêncio no início da história. Ele quer tomar as terras de José Inocêncio e, para isto, contrata os serviços de dois jagunços, cuja missão acaba invertida. O próprio Belarmino acaba vítima de uma tocaia, não se sabe a mando de quem.


Nena (Beth Erthal) é mulher de Belarmino (José Wilker) e avó de Mariana (Adriana Esteves). Ao contrário do marido, não tem ambições financeiras nem é invejosa. Seu ideal é dar aos filhos uma boa educação. Quando fica viúva, parte do local para nunca mais voltar.


Na segunda fase da novela, o coronel José Inocêncio (Antonio Fagundes) é um contador de histórias, que mantém uma aura mística a seu redor. Um dos episódios que não cansa de contar é que seu amigo, o turco Rachid (Luiz Carlos Arutin), costurou sua pele com linha e agulha depois de ela ter sido arrancada por um bando de jagunços assim que chegou à região. José Inocêncio é um homem reconhecido pelo senso de justiça, e querido pelos empregados, que lhe são inteiramente fiéis.


Os filhos José Augusto (Marco Ricca), José Bento (Tarcísio Filho) e José Venâncio (Taumaturgo Ferreira) moram e trabalham na cidade grande. Já o caçula João Pedro (Marcos Palmeira), que nunca deixou a fazenda, mantém-se ao lado do pai, mesmo sofrendo com sua indiferença.


A desavença do fazendeiro com João Pedro (Marcos Palmeira), o filho mais novo, rege diversas tramas paralelas da história. A relação dos dois piora com a chegada de Mariana (Adriana Esteves), por quem João Pedro se apaixona.


João Pedro leva Mariana para trabalhar na fazenda do pai sem saber que a jovem é neta de Belarmino (José Wilker), inimigo de José Inocêncio morto na primeira fase da novela, e que sua intenção é se aproximar da família somente para se vingar. Ela não contava, no entanto, que se apaixonaria pelo coronel, a quem chama carinhosamente de “painho”.


Mariana (Adriana Esteves) aproxima-se de José Inocêncio (Antônio Fagundes) com sede de vingança, pois a avó sempre o acusou de ter sido o mandante da morte do marido. Mas a mocinha sucumbe ao charme do fazendeiro, aumentando o abismo que o separa do filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira).


Depois de anos viúvo e sofrendo com a perda de Maria Santa, José Inocêncio se apaixona por Mariana e decide se casar com a moça, num duro golpe para João Pedro, que se vê obrigado a sufocar o amor que sente pela jovem.


A notícia do casamento de José Inocêncio e Mariana, faz com que José Augusto, José Bento e José Venâncio exijam que o pai divida seus bens entre os filhos. Interessados na herança, os três, liderados por José Bento, acham que Mariana é uma aproveitadora, de olho apenas na fortuna do coronel. Eles chegam à fazenda do pai dispostos a enfrentá-lo, e diversas tramas se desenrolam a partir daí.


João Pedro (Marcos Palmeira) é o caçula dos quarto filho de José Inocêncio (Antonio Fagundes). Rejeitado pelo pai porque Maria Santa (Patrícia França) morreu em consequência de complicações durante o seu parto. Não foi mandado para estudar na cidade grande como os irmãos, mas isto não diminuiu sua inteligência e sua capacidade de trabalho. É ele quem preserva a obra de Inocêncio, a quem ama e idolatra, apesar de ter todos os motivos para odiá-lo. Inclusive pelo fato de ter sido ele quem, apaixonado, levou Mariana (Adriana Esteves) para dentro de casa, perdendo-a para o pai.


José Augusto (Marco Ricca) é o filho primogênito de José Inocêncio (Antonio Fagundes). Médico, escolheu a profissão para agradar ao pai, sem ter vocação. Acostumado desde pequeno a receber tudo de mão beijada, não consegue gerir a própria vida adequadamente. Quando a história começa, ele está pensando em sair do Brasil, mas não sabe se vai para Lisboa ou Miami. É simpático, um tipo agradável, mas muito mentiroso.


José Bento (Tarcísio Filho) segundo filho de José Inocêncio (Antonio Fagundes), tão mimado quanto o primeiro e o terceiro. Formando em Direito, mora no Rio com uma antagonista dos tempos de vida universitária, quando vivia como nababo e se dizia de esquerda. Ela se chama Valquíria (Cláudia Lira), sua companheira numa elação sem amor. É dele a iniciativa de propor a divisão das terras entre os irmãos, logo depois do casamento do pai com Mariana (Adriana Esteves).

O terceiro filho de José Inocêncio, José Venâncio (Taumaturgo Ferreira), trabalha como engenheiro, mas também é sustentado pelo pai. No início da história, está casado com Eliana (Patrícia Pillar), com quem não é feliz. Fria e oportunista, Eliana não quer ter filhos – a principal desavença do casal –, temendo que a gravidez estrague seu corpo.


Desiludido com seu casamento, José Venâncio conhece a doce e feminina Buba (Maria Luisa Mendonça), que o leva a romper o relacionamento com Eliana. Buba, no entanto, esconde dele que é hermafrodita. Ao descobrir o segredo de seu novo amor, José Venâncio se vê diante da dificuldade de encarar o problema. O susto é tão grande que ele volta para Eliana.


Mas José Venâncio não resiste à doçura e à feminilidade de Buba, aquela pessoa que é o oposto de sua mulher. Até um filho Buba está disposta a adotar para formar uma família perfeita. O rapaz vai para a fazenda do pai na Bahia, mas acaba morto em uma tocaia preparada para atingir José Inocêncio.


Desconfiada que está sendo traída, Eliana (Patrícia Pillar) contrata o serviço do detetive Egberto (José de Abreu), na intenção de descobrir quem é a amante de José Venâncio. Ao ser trocada pelo marido, Eliana não descansa enquanto não desvenda o mistério de Buba (Maria Luisa Mendonça). No futuro, Eliana se envolve amorosamente com o forasteiro Damião (Jackson Antunes).


Damião havia sido contratado por Teodoro para acabar com a vida de José Inocêncio, mas acaba virando empregado e fiel seguidor do homem que deveria matar. Damião também envolve-se com Eliana (Patrícia Pillar) e ambos vivem um tórrida paixão.


Ritinha (Isabel Fillardis) é a bela que seduz e é seduzida por Damião (Jackson Antunes), e se casa com ele. Ao longo da trama, envolve-se com José Bento (Tarcísio Filho).


Teca (Paloma Duarte) é uma menina de rua, grávida, que Buba (Maria Luisa Mendonça) leva para casa, a fim de adotar seu bebê quando nascer. Ao conhecer José Inocêncio, a garota conquista o carisma do fazendeiro que começa a tratá-la como uma filha.


Com a morte de José Venâncio (Taumaturgo Ferreira), Buba se envolve com José Augusto (Marco Ricca) e, incentivada por este, faz uma cirurgia e deixa de ser hermafrodita.


Outro personagem importante na trajetória de José Inocêncio (Antonio Fagundes) é Teodoro (Herson Capri), vizinho de sua propriedade, que vive de olho em suas terras.


Autoritário e mau-caráter, Teodoro é casado com Yolanda (Eliane Giardini), a quem chama de Dona Patroa, uma mulher submissa que finge não saber das traições do marido. Os dois têm uma filha, Sandra (Luciana Braga).


Sandra (Luciana Braga) se apaixona por João Pedro (Marcos Palmeira) e forma um triângulo amoroso com Mariana (Adriana Esteves). Dedicada, ela se esforça para provar que é a mulher da vida de João Pedro.


A certa altura, Yolanda (Eliane Giardini) dá uma reviravolta em sua vida e abandona Teodoro em busca de sua felicidade. A antes submissa Dona Patroa dá lugar a uma sensual Yolanda que redescobre a vida e o amor na experiência e no afeto do velho Rachid (Luiz Carlos Aruntin). Turco Rachid é o mascate que, segundo a história contada por José Inocêncio (Leonardo Vieira/Antonio Fagundes), costurou sua pele com linha e agulha, depois de ele ter sido completamente atacado por um bando de jagunços. A história fica dividida entre realidade e fantasia pela família, amigos de José Inocêncio e moradores da região.


Teodoro (Herson Capri), por sua vez, casa-se com a interesseira Eliana (Patrícia Pillar), após separar-se de Dona Patroa (Eliane Giardini).


Um dos personagens de maior destaque é o catador de caranguejos Tião Galinha (Osmar Prado), porta-voz do autor na denúncia das precárias condições de vida e trabalho no Brasil. Ele se muda com os filhos e a mulher, Joaninha (Tereza Seiblitz), dos manguezais para a zona do cacau com a esperança de melhorar de vida.


A ingenuidade e a ignorância de Tião fazem com que ele acredite que o sucesso alcançado pelo coronel José Inocêncio (Antonio Fagundes) se deve ao fato de ele ter criado um diabo dentro de uma garrafa, seu amuleto. Segundo a crença popular, o diabinho da garrafa fecha o corpo de quem o possui e traz prosperidade quando urina em cima dos cacaueiros. Tião Galinha se agarra a essa ideia e transforma sua vida em um tormento, para desespero de sua mulher.


Padre Lívio (Jackson Costa) chega para auxiliar Padre Santo (Jofre Soares) em suas peregrinações pelo interior da zona cacaueira. Jovem e contestador, vive um conflito ao se apaixonar por Joaninha (Teresa Seiblitz), tendo de optar entre o amor ou a vocação religiosa.


Deocleciano (Leonardo Brício na primeira fase e Roberto Bomfim na segunda), é amigo e companheiro inseparável de José Inocêncio. Casado com Morena (Regina Dourado) - ambos trabalham e vivem na fazenda de cacau, e são adorados por João Pedro (Marcos Palmeira), de quem cuidaram desde criança. Morena foi tirada do bordel de Jacutinga para se casar. Deocleciano foi o primeiro empregado contratado por José Inocêncio (Leonardo Vieira/Antonio Fagundes) assim que ele chega por aquelas paragens. Acredita piamente nas histórias contadas pelo patrão, e é um de seus melhores divulgadores. Sofre uma angustia com a esposa Morena, por ambos nunca ter conseguido gerar um filho. O amor por João Pedro, vem meio como uma superação pela frustração de não terem gerado uma criança.


Inácia (Chica Xavier) é a fiel empregada da fazenda, que ajudou na criação dos meninos e tem grande devoção ao patrão. É uma mulher simples e sensível, que costuma ter visões e prever o destino das pessoas. Supersticiosa, se benze toda quando vê a garrafa onde Inocêncio guarda seu diabinho de estimação. Ajudou a criar os quatro filhos do viúvo como se fossem seus.

Zinho Jupará (Cosme dos Santos) é filho de Flor (Rita Santana) e Jupará (Gésio Amadeu), um dos melhores amigos de José Inocêncio no passado. Apesar de também ter sido tirada da casa de Jacutinga (Fernanda Montenegro) por Jupará (Gésio Amadeu), Flor era virgem e fazia os serviços domésticos. Quando fica viúva, vai embora com os filhos, deixando na fazenda apenas Zinho Jupará. Ele é o melhor amigo de João Pedro (Marcos Palmeira), como o pai, é capaz de dar sua vida pelo “patrãozinho”. Não se conforma com a morte do pai, que atribui à incapacidade de José Augusto (Marco Ricca), o filho médico de José Inocêncio (Antonio Fagundes), que o atendeu.


O inescrupuloso fazendeiro Teodoro, foi o responsável pela morte de José Venâncio, e é assassinado durante a trama. O crime levanta suspeitas sobre alguns personagens da novela, entre eles José Inocêncio, João Pedro (Marcos Palmeira), Eliana (Patrícia Pillar), Mariana (Adriana Esteves) e o matador Damião (Jackson Antunes). João Pedro se torna suspeito por que poderia ter vingado a morte do irmão Venâncio e por José Inocêncio ter ficado paralítico; Eliana por almejar o poder; Mariana por ter descoberto que Teodoro foi o mandante do assassinato de seu avô e Damião por não suportar viver sozinho, sabendo que Eliana, seu grande amor, está na cama com Teodoro. No fim, descobre-se que Teodoro foi morto por Mariana.


A mágoa de José Inocêncio com João Pedro só é superada no leito de morte, no capítulo final da trama. José Inocêncio, cansado e com a saúde debilitada, vai à cidade sozinho e sofre um acidente na volta para a fazenda. Uma forte chuva cai sobre a região, e João Pedro decide ir atrás do pai. No caminho, João encontra o facão aos pés do jequitibá praticamente coberto pela terra. Ele retira o facão do pai e põe o seu no mesmo lugar, repetindo o gesto de Zé Inocêncio de anos atrás. Com muita dificuldade, José Inocêncio consegue chegar em casa, mas se recusa a receber medicação, e agoniza.


Nesse momento, João Pedro se aproxima do pai, que pede um abraço do filho como perdão por tantos anos de indiferença. A cena é uma das mais emocionantes da novela.


Após a reconciliação, José Inocêncio morre e é recebido por Maria Santa que aparece em espírito para levar o amado.


João Pedro consegue finalmente esquecer Mariana e termina a novela ao lado de Sandra, com quem tem uma filha.


Mariana, sozinha, deixa a fazenda de cacau.


“Renascer” marcou a estreia de Benedito Ruy Barbosa no horário nobre da TV Globo depois do sucesso obtido com a novela “Pantanal” (TV Manchete, 1990). O autor começou a trabalhar no projeto de “Renascer” no início dos anos 1970, após escrever a novela “Meu Pedacinho de Chão” (1971), exibida pela TV Globo. Benedito rodou três mil quilômetros no sertão baiano colhendo informações, impressões e histórias que desenvolveu posteriormente na trama. Inicialmente, “Bumba-Meu-Boi” seria o título da novela, depois cogitou-se o título “Jequitibá-rei”, mas após pesquisas de opinião feitas pela TV Globo, a história foi batizada de “Renascer”.


A atriz Patrícia França, que vinha do sucesso da minissérie Tereza Batista (1992), estreava em novelas na TV Globo, ao lado do também iniciante Leonardo Vieira. O trabalho dos dois atores na primeira fase de “Renascer” rendeu-lhes um convite para integrar o elenco da novela seguinte das 18h, “Sonho Meu” (1993), de autoria de Marcílio Moraes, na qual voltaram a protagonizar um par romântico.


Benedito Ruy Barbosa explorou na novela lendas e personagens com que se deparou em uma viagem à Bahia – como a história do diabo trancafiado na garrafa. O personagem de Jackson Antunes, Damião, foi inspirado em um ex-matador que o autor conheceu nessa viagem, chamado “Seu Visita”. A crendice do diabinho dentro da garrafa já havia sido usada por Benedito Ruy Barbosa em outra novela de sua autoria, “Paraíso” (1982).


O bordão do personagem de José Wilker (Belarmino) – “É justo, é muito justo, é justíssimo” – nasceu de um improviso. O ator esquecera sua fala durante a gravação de uma cena trabalhosa, que envolvia o diretor de fotografia Walter Carvalho, e, sem graça de ficar em silêncio, criou a fala que se tornou marca de seu personagem.


Osmar Prado define o simplório Tião Galinha como um representante do povo brasileiro subjugado pelo poder econômico, e atribui a força do personagem à identificação do povo com a dor de alguém tão desprovido de tudo quanto o catador de caranguejos da novela. O ator citou o final do personagem (e suas últimas palavras) como o símbolo de sua condição de explorado. O bilhete deixado por Tião após se enfocar em sua cela dizia o seguinte: “Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém. Quem ganha mais do que come sempre ganha o pão de alguém.”


Antônio Fagundes começava uma parceira que renderia outros bons frutos com o autor Benedito Ruy Barbosa. “Renascer” foi a primeira novela do ator com o autor. Depois vieram outras produções como O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999) e Esperança 2002.


Marcos Palmeira entrou em cena como última opção para interpretar João Pedro, Filho rejeitado por José Inocêncio (Antônio Fagundes), personagem que a Globo reservava para outros atores. Considerado um dos melhores atores da nova geração, na época, Marcos Palmeira confirmou seu talento e fez de João Pedro o mais importante dos personagens de “Renascer”, chegando ao final da novela como o maior destaque.


Renascer foi a primeira novela de Jackson Antunes, Maria Luisa Mendonça, Marco Ricca, Paloma Duarte e Isabel Fillardis na TV Globo. Foi trabalhando em silencio que Jackson Antunes se tornou o maior galã de “Renascer”. O jeito caboclo e machão do personagem Damião fizeram do ator mais que uma revelação, um símbolo sexual que encantou o publico.


A saudosa atriz Leila Lopes foi outra figura marcante na novela, através de sua personagem, a professorinha Lu. A professora transferiu para o público a noção exata das responsabilidades e das dificuldades que, com amor, professores enfrentam no Brasil.


Paloma Duarte havia feito teste para viver a personagem Mariana, mas, por ser muito jovem na época - estava com 16 anos - o papel acabou ficando com Adriana Esteves. Mas não era o fim: o talento de Paloma acabou cativando o autor Benedito Ruy Barbosa que criou a personagem Teca especialmente para ela.


A novela contou com a participação de Luiz Carlos Arutin, em seu último e memorável papel em telenovelas da Globo, como o turco Rachid, que na verdade era libanês. O último papel de sua carreira foi em A Idade da Loba, na Rede Bandeirantes.


Adriana Esteves foi marcante com sua personagem Mariana, que chamava José Inocêncio de Painho. Mas a atriz sofreu fortes críticas contrárias a sua atuação e só voltaria à TV Globo através da minissérie “Decadência”, de Dias Gomes, em 1995, dois anos depois. Foi através da novela “A Indomada” de Aguinaldo Silva em 1997 que Adriana Esteves alcançaria sucesso de crítica, no caminho para se consagrar uma grande atriz.


Por meio da história da personagem Buba (Maria Luisa Mendonça), a novela abordou o hermafroditismo e o preconceito que o acompanha. “Renascer” também falou sobre o universo dos meninos de rua. O tema foi sugerido num congresso da Unicef para autores latino-americanos de novelas, do qual participaram Benedito Ruy Barbosa e Gloria Perez. Através dos personagens Teca (Paloma Duarte), Neno (Cassiano Carneiro) e Pitoco (Oberdan Junior), o autor discutiu temas como gravidez precoce, violência e preconceito, além de mostrar o drama e os anseios pessoais de cada jovem. Teca engravida precocemente, e é acolhida por José Inocêncio (Antonio Fagundes). A chacina da Candelária, no Rio de Janeiro, ocorrida no ano de exibição da novela, fez com que o autor mudasse o destino do pai do filho de Teca, que morre assassinado.

A novela trouxe ainda a discussão sobre o celibato religioso e a corrupção política no Brasil através de Padre Lívio (Jackson Costa), que se apaixona por Joaninha. Em diversos diálogos, Padre Lívio discursa a favor da reforma agrária, questiona os governos militares e chega a debater sobre um possível fechamento do Congresso Nacional.


Memorável a cena do primeiro capítulo em que José Inocêncio (Leonardo Vieira) finca seu facão em um frondoso pé de jequitibá. Uma das cenas mais emocionantes também foi a do último capítulo, com a morte de Zé Inocêncio (Antônio Fagundes), quando ele pede ao filho João Pedro (Marcos Palmeira) que o abrace e o desculpe pelos anos de indiferença. Outra cena marcante foi a de padre Lívio, interpretado por Jackson Costa, ao declamar a poesia Enfim Te Encontro, sobre a existência de Deus, poesia essa cuja autoria é de Otávio Barbosa Júnior, irmão mais novo de Benedito Ruy Barbosa.


Em 1980, Benedito Ruy Barbosa havia apresentado a novela “Os Imigrantes” para direção da Globo, porém a novela não foi aprovado. O autor então foi contratado pela TV Bandeirantes que transformou “Os Imigrantes” num enorme sucesso. Em 1990, o fato se repetiria através da novela “Pantanal”. A Globo voltaria a recusar uma obra do autor, que, dessa vez, planejava ir para o horário nobre. A extinta TV Manchete comprou a ideia, contratou Benedito Ruy Barbosa e transformou “Pantanal” num fenômeno de audiência, além de revolucionar a teledramaturgia brasileira. Mas foi em 1993, que Benedito finalmente chegou no horário nobre da Globo com “Renascer”.

O norte-americano Bob Clark, que já colaborara na produção dos efeitos especiais da novela “Vamp” (1991), deu assessoria para a gravação da cena em que o jovem José Inocêncio (Leonardo Vieira) tem a pele arrancada por jagunços ao chegar em Ilhéus. Algumas cenas da novela foram realizadas em película de cinema. Tal feito pôde ser visto nas cenas em que o jagunço Damião (Jackson Antunes) chegava à cidade grande.


Os cenários de “Renascer”, que teve muitas cenas gravadas em Ilhéus, na Bahia, reproduziam o interior de quatro casas de fazendas de cacau. As cenas que mostravam as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo foram gravadas nos estúdios da TV Globo, no Rio de Janeiro. Apenas um cenário foi montado na cidade cenográfica montada em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, onde dois anos depois seria inaugurado o Projac: a casa de Jacutinga (Fernanda Montenegro), dona do bordel, mais tarde transformada em uma pensão que abrigou diversos personagens da trama.


A apresentação do último capítulo de Renascer fugiu ao padrão. Devido à exibição de uma partida de futebol, metade do capítulo foi ao ar na sexta-feira, e a outra metade, no sábado. O último capítulo foi reprisado no domingo, na íntegra, após o “Fantástico”. A mudança se deu por conta da final do Campeonato Brasileiro daquele ano, que seria disputada na sexta-feira, às 21h30, por Internacional e São Paulo. Como o capítulo final tinha 80 minutos de duração, e não uma hora como os anteriores, não daria tempo de exibi-lo na íntegra. A direção da emissora, avaliando a importância da partida de futebol e da novela, optou por dividir o último capítulo em duas partes.


Além de Osmar Prado, vencedor do prêmio de melhor ator coadjuvante, a Associação Paulista de Críticos de Arte elegeu Antonio Fagundes como melhor ator e Regina Dourado como melhor atriz coadjuvante do ano de 1993. Jackson Antunes, que interpretava Damião, foi premiado como revelação. Renascer foi considerada, ainda, a melhor novela do ano pela APCA.


A novela foi reapresentada entre 14/08/1995 e 01/03/1996, em “Vale a Pena Ver de Novo”. Renascer foi vendida para Bolívia, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela, entre outros países.

“Renascer” foi uma novela genuinamente rural, mostrando 100% de riqueza natural do Brasil. A trilha sonora não podia ser diferente, trazendo destaques da MPB daquele ano de 1993. Entre todos os hits o destaque maior ficou por conta de baiana Daniela Mercury, que já era fenômeno. A cantora, numa parceria com Hebert Vianna de “Os Paralamas do Sucesso” cantava “Só Pra Te Mostrar”, música que era uma das mais pedidas nas rádios de todo Brasil. “Sete Desejos” do pernambucano Alceu Valença também é um clássico presente na novela “Renascer”. A música de Alceu Valença era tema do fervente romance entre as personagens Eliana (Patrícia Pillar) e o forasteiro Damião (Jackson Antunes). Foram duas trilhas sonoras lançadas para a novela que trouxeram estrelas da música nacional como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Gilnerto Gil, Ivan Lins, Fábio Jr, Ney Matogrosso, Elba Ramalho, entre muitos outros.

Trilha Sonora 1


01. DITO E FEITO – Roberto Carlos (tema de Dona Patroa)
02. AI QUE SAUDADE DE OCÊ – Fábio Jr. (tema de Damião e Ritinha)
03. LINDEZA – Caetano Veloso (tema de Maria Santa)
04. SÓ PRA TE MOSTRAR – Daniela Mercury - partic. especial Herbert Vianna (tema de Buba)
05. O LADO PRÁTICO DO AMOR – Guilherme Arantes (tema de Eliana)
06. SPORT TIME – Sunshine Orchestra
07. CONFINS – Batacoto - partic. especial Ivan Lins (tema de abertura)
08. LUA SOBERANA – Sérgio Mendes (tema de locação - Bahia)
09. ME DIZ – Fagner
10. PARABOLICAMARÁ – Gilberto Gil (tema de locação - Bahia)
11. DE VOLTA AO COMEÇO – Roupa Nova (tema das terras de José Inocêncio)
12. MENTIRAS – Adriana Calcanhoto (tema de Mariana)
13. EM NOME DO AMOR – Agnaldo Rayol (tema de Rachid)
14. TO AIM – Franco Perini


Trilha Sonora 2


01. ALÉM DA ÚLTIMA ESTRELA – Maria Bethânia (tema de Sandra)
02. CHEIRO DE SAUDADE – Ney Matogrosso (tema de Morena)
03. EU QUERO MEU AMOR – Elba Ramalho
04. ROMANCE – 14 Bis (tema das terras de José Inocêncio)
05. LAVRADOR – Moraes Moreira (tema de Damião)
06. MEMÓRIAS (PATCH MEMORY) – Franco Perini
07. ESSA TAL FELICIDADE – Tim Maia (tema de Zé Augusto)
08. SETE DESEJOS – Alceu Valença (tema de Damião e Eliana)
09. DOIS CORAÇÕES – Nana Caymmi (tema de João Pedro)
10. PALAVRA ACESA – Quinteto Violado (tema de Tião Galinha)
11. JOANINHA – Itamara Koorax (tema de Joaninha)
12. RENASCER (PROTECTION) – Franco Perini

Sonoplastia: Aroldo Barros
Produção Musical: André Sperling
Direção Musical: Mariozinho Rocha


A produção da abertura, criada pelo designer Hans Donner, contou com a colaboração do arquiteto Flávio Papi, chamado para desenvolver as maquetes de uma cidade que brotava do chão de terra batida de uma fazenda de cacau. A técnica do chromakey foi utilizada na realização do trabalho. Primeira telenovela com abertura 100% digital renderizado em computador . Entretanto, a animação teve de ser acelerada numa ilha de edição analógica para alcançar os 30 quadros por segundo. A tecnologia da época não permitia a riqueza de detalhes dos gráficos sendo gerados em tempo real a mais do que 5 quadros por segundo. Foram utilizados duas estações em cluster da Silicon Graphics (SGI) cada uma rodando à 80 MHz com 20 MB de RAM compartilhadas entre elas.




Novela de Benedito Ruy Barbosa
Colaboração: Edmara Barbosa e Edilene Barbosa
Direção: Luiz Fernando Carvalho, Emílio di Biasi e Mauro Mendonça Filho
Direção geral: Luiz Fernando Carvalho
Elenco
ANTÔNIO FAGUNDES - Zé Inocêncio
ADRIANA ESTEVES - Mariana
MARCOS PALMEIRA - João Pedro
LUCIANA BRAGA - Sandra
TARCÍSIO FILHO - Zé Bento
MARCO RICCA - Zé Augusto
MARIA LUÍSA MENDONÇA - Buba
PATRÍCIA PILLAR - Eliana
HERSON CAPRI - Teodoro
MARA CARVALHO - Aurora
OSMAR PRADO - Tião Galinha
TEREZA SEIBLITZ - Joaninha
JACKSON COSTA - Padre Lívio
CHICA XAVIER - Inácia
ROBERTO BOMFIM - Diocleciano
REGINA DOURADO - Morena
COSME DOS SANTOS - Zinho Jupará
LEILA LOPES - Lú
KADU MOLITERNO - Rafael
JACKSON ANTUNES - Damião
ISABEL FILLARDIS - Ritinha
LUIZ CARLOS ARUTIN - Rachid
ELIANA GIARDINI - Iolanda (Dona Patroa)
PALOMA DUARTE - Teca
OBERDAN JÚNIOR - Pitoco
NELSON XAVIER - Norberto
ÍRIS NASCIMENTO - Lurdinha
TAUMATURGO FERRREIRA - Zé Venâncio
CLÁUDIA LIRA - Kica
JOSÉ DE ABREU - Egberto
JOFRE SOARES - Padre Santo
CASSIANO CARNEIRO - Neno
CECIL THIRÉ - Delegado Olavo


primeira fase:
LEONARDO VIEIRA - Zé Inocêncio
PATRÍCIA FRANÇA - Maria Santa
JOSÉ WILKER - Belarmino
FERNANDA MONTENEGRO - Jacutinga
SOLANGE COUTO - Inácia
CACÁ CARVALHO - Venâncio
ANA LÚCIA TORRE - Quitéria
LEONARDO BRÍCIO - Diocleciano
CYRIA COENTRO - Morena
GÉSIO AMADEU - Jupará
RITA SANTANNA - Flor
BETHY ERTHAL - Nena
PABLO SOBRAL - João Pedro (criança)
TONINHO DA CRUZ - Zinho Jupará (criança)

Fontes:
ARQUIVO MUNDO NOVELAS
Rede Globo
Wikipédia

8 comentários :

Bujica disse...

Alguem conhece o tema usado principalmente nas primeiras aparições do jagunço Damião ?

Tem um video no youtube onde ela toca no final da cena do Jackson Antunes .

Nome do Video no Youtube > "Novela Renascer_ Capítulo 14 (Parte 3 de 5)"

Unknown disse...

Que saudades dessa super novela.

Unknown disse...

Muito bom relembrar as cenas.

Anônimo disse...

Alguém poderia me dizer em que época retrata o ínicío da novela Renasce ?

Unknown disse...

A novela mais linda q existiu!!

Unknown disse...

Linda novela 😍

Unknown disse...

Linda novela 💓😍

Unknown disse...

Esqueceram de mostrar a Marianinha na novela.